A Hidroxicloroquina, A Retina E O Tratamento Da Covid-19: O Que Essas 3 Coisas Têm A Ver??

Ouso dizer que esse tema é de extrema relevância na saúde pública para o nosso momento atual de pandemia e temos discutido esse assunto recentemente com alguns de nossos pacientes do consultório.

Vamos começar da seguinte forma, existe um medicamento chamado de hidroxicloroquina, esta medicação é bem consagrada na literatura e que é classicamente usada no tratamento de algumas doenças inflamatórias reumatológicas e dermatológicas. Muito bem, assim como todos os remédios, a hidroxicloroquina pode ter efeitos-colaterais, e um dos efeitos-adversos mais conhecidos desse remédio é o seu potencial efeito tóxico sobre a retina através da destruição das células fotorreceptoras, as células mais importantes da visão. A chance de baixa da acuidade visual devido ao uso de hidroxicloroquina é baixa, e gira ao redor de 1% quando a hidroxicloroquina é usada por menos de 5 anos, principalmente se a dose for menor que 5.0 mg por quilo de peso do paciente. Considerando-se uma dose de 5.0 mg/kg, uma pessoa de 60 kg apresentaria um risco aumentado de dano de sua retina se consumisse uma dose diária de hidroxicloroquina maior que 300 mg por dia.

Porém, acredito que você também já ouviu falar da hidroxicloroquina para o chamado “tratamento precoce do coronavírus”. Neste, preconiza-se uma dose da droga equivalente a 800mg por dia no primeiro dia, seguido de 400 mg por dia nos próximos 10 dias. E aqui vale a ressalva de que a maioria das entidades médicas criticam esse tipo de abordagem de tratamento, uma vez que não há comprovações científicas da eficácia de tais medicamentos no combate à covid-19.

Em resumo, ao se tomar qualquer medicação, como é o caso da hidroxicloroquina, deve-se sempre pesar os potenciais riscos e benefícios que esta pode trazer para o nosso corpo…


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