Imagens Que Passais Pela Retina (Camilo Pessanha)

Segundo o renomado poeta Camilo Pessanha, a visão seria responsável pela conexão entre o mundo material e o mundo espiritual.

Em seu poema “Imagens que Passais pela Retina”, ele usa a água como uma metáfora do fluxo de imagens que se formam de forma momentânea na retina, imagens essas que não se fixam, remetendo a fugacidade do tempo.

Trata-se de um convite para refletirmos sobre os nossos valores e preocupações frente à efemeridade dos fatos que vivenciamos através de projeções sequenciais das imagens em nossa retina. Portanto, cabe a nós direcionar a nossa retina e fixá-la para enxergar o que é realmente importante.

Confira o poema abaixo:

Imagens que passais pela retina Dos meus olhos, porque não vos fixais? Que passais como a água cristalina Por uma fonte para nunca mais!…

Ou para o lago escuro onde termina Vosso curso, silente de juncais, E o vago medo angustioso domina, — Porque ides sem mim, não me levais?

Sem vós o que são os meus olhos abertos? — O espelho inútil, meus olhos pagãos! Aridez de sucessivos desertos…

Fica, sequer, sombra das minhas mãos, Flexão casual de meus dedos incertos, — Estranha sombra em movimentos vãos.


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